Discos da semana (segunda, 06/08): Deep Blue

7 ago

“Liberdade é escravidão

Guerra é paz

Ignorância é força

Existência é…

Sofrimento.”

De cabo a rabo, o terceiro e melhor disco do grupo australiano Parkway Drive apresenta uma das interpretações mais maduras e consistentes do estilo Metalcore da última década. Particularmente, estou em um love affair com esse álbum já tem uns dias, até que resolvi colocá-lo no celular ontem, e á ouvi umas quatro vezes ele todo, sempre repetindo as faixas Alone, Wreckage, Home Is for the Heartless e Karma por inúmeras vezes. Uma excelente pedida para ouvir metal de altíssima qualidade, com doses de experimentalismo, ambientação e shredding na quantidade certa! Ouça aqui o disco completo no Youtube.

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Vídeo: Matt Skiba and the Sekrets – Voices

25 maio

Terror e psicodelia nonsense no primeiro videoclipe do trio Matt Skiba and the Sekrets. A faixa é a primeira do disco Babylon, o qual eu já avaliei aqui. Enjoy!

Resenha: Babylon (Matt Skiba and the Sekrets, 2012)

14 maio

Combinação praticamente infalível: juntar membros de ótimas bandas de gêneros similares, mas com suas particularidades, e ver no que dá. A probabilidade de sucesso é extremamente superior à probabilidade de fracasso. Matt Skiba e os seus companheiros na sua nova e ambiciosa empreitada estão aí e não deixam a probabilidade mentir.

Skiba, guitarrista e vocalista que já tem uma carreira consolidada com o Alkaline Trio, que já tem mais de 15 anos de vida e 8 discos lançados, anunciou no início desse ano que iria se reunir com membros de outras duas bandas e gravar um disco. Declarou em entrevistas adorar gravar com seus companheiros de longo prazo no Alkaline Trio, mas adoraria gravar um disco de Rock com a cara dele, podendo comandar o rumo das coisas. Para isso, chamou Hunter Burgan, baixista do grupo de Punk/Hardcore AFI, e Jarrod Alexander, atual baterista do grupo My Chemical Romance.

Após mais ou menos três ou quatro meses ensaiando, compondo e gravando, o resultado é Babylon, que estará disponível para venda em formato físico nessa sexta-feira, 18. Uma obra prima do Punk Rock que nos lembra como é divertido ouvir um disco de 37 minutos, com a carga certa de peso, melodias e letras tanto emotivas e românticas quanto fortes e agressivas.

O disco abre com Voices, uma faixa com a identidade de Skiba impressa no verso inicial, após uma enérgica introdução. A canção segue e nota-se o rumo diferente que o guitarrista/vocalista quis seguir com esse projeto. Sintetizadores “adoçam” a melodia rápida e agressiva, com um refrão poderoso. Um detalhe costumeiro  torna-se notável: referências a contos de terror, influência do Horror Punk do lendário grupo Misfits, muito presentes também nas letras do Alkaline Trio.

O encerramento da primeira faixa emenda com a bateria corrida e o zumbido dos amplificadores na introdução curta e objetiva de All Fall Down, uma daquelas canções que na sua aparente simplicidade, marcam e surpreendem. Burgan faz um excelente trabalho e seu baixo conquista um espaço de destaque na música, em meio a overdubs de guitarras, a bateria mais do que bem tocada e bem posicionada e os coros que completam a mistura perfeita para uma faixa marcante e agradável.

Luciferian Blues dá a impressão que o frontman do projeto “fez o dever de casa” e incorporou elementos do AFI e do My Chemical Romance na sua composição típica. Faixa pesada e melancólica, conta por forma de metáforas o fim de um relacionamento e o sofrimento para superá-lo. Uma canção curta, rápida onde há contraste entre o instrumental pesado e agressivo com o vocal emotivo e suave.

O álbum segue com a constante mistura do usual e do inédito, onde faixas como Haven’t YouFalling Like RainOlivia encorporam sintetizadores, pianos e musicam declarações de amor, ódio e horror com os melhores aspectos de cada uma das três bandas. How the Hell Did We Get Here?You e The End of Joy mostram que o peso pode ser Pop e que melodias agressivas podem ser adoráveis e fáceis de absorver.

Sons de trovões, um violão e uma voz sincera e emotiva que lhe pede para abrir os olhos iniciam a última canção do disco, Angel of Deaf. Sem exageros, teclado e guitarras entram sutilmente para acompanhar a voz de Skiba, que traz emoções do seu âmago para a superfície da melodia. O som grave de instrumentos ressoa por mais quatro minutos após o fim da faixa, uma pegadinha para quem gosta de faixas escondidas.

Um ótimo disco. Repetitivo em poucos momentos, divertido para ouvir por até duas ou três vezes seguidas. Altamente recomendado para os leitores desse blog e para interessados nas bandas, no gênero ou para leigos.

Banda: Matt Skiba and the Sekrets

Matt Skiba – Guitarra, violão e vocal

Hunter Burgan – Baixo e vocal de apoio

Jarrod Alexander – Bateria

Álbum: Babylon

 Ano: 2012

  1. Voices (3:25)
  2. All Fall Down (3:48)
  3. Luciferian Blues (2:59)
  4. Haven’t You? (3:12)
  5. The End of Joy  (3:05)
  6. You (3:31)
  7. Olivia (3:39)
  8. Falling Like Rain (3:16)
  9. How the Hell Did We Get Here? (3:39)
  10. Angel of Deaf (7:06)

Abaixo, a faixa All Fall Down:

Matt Skiba parecendo o índio Tonto, de “Cavaleiro Solitário”

Feistodon: uma experiência auditiva exótica e interessante

12 maio

Mosaico com “pedaços” da cantora canadense e do quarteto americano

É de conhecimento geral que o Record Store Day (Dia do Disco de Vinil, comemorado no terceiro sábado de abril) é muito bem sucedido nos Estados Unidos, impulsionando as vendas dos discos de vinil e inovando na criação de novos tipos de disco, como a Third Man Records (gravadora do gênio Jack White) que neste ano trouxe um disco transparente com um líquido azul dentro. O Mastodon, quarteto de Metal (tenho sérias dificuldades para classificar o gênero de Metal tocado por Brent Hinds e seus companheiros, que passeia livremente entre o Progressivo, Thrash, Sludge e Heavy Metal) já participou ano passado com um EP de 7 polegadas, com a versão deles para a música “Just Got Paid”, do ZZ Top, contando com o guitarrista/vocalista da banda, Billy Gibbons, e junto com o cover, a música original, lançada pelo trio texano em 1972, cada canção em um lado do disco amarelo lançado pela Warner Bros. Records. Com a mistura bem sucedida, a banda resolveu fazer algo especial para a data este ano e por especial, pode-se entender surpreendente, improvável e MUITO, mas MUITO legal. A banda juntou-se a cantora canadense de Folk/Indie Feist no íncrivel EP Feistodon, onde cada artista fez um cover do outro.

O que é mais incrível? É difícil dizer.

No lado A do simples EP preto de 7 polegadas, o Mastodon interpreta “A Commotion”, faixa do último disco da cantora, Metals. Caiu como uma luva: uma faixa que já tem uma atmosfera densa, que prende você na melodia com efeito hipnótico, e com muito uso de coro (particularmente especial para o quarteto, onde três dos integrantes são tanto vocalistas principais quanto vocais de apoio). O instrumental impecável dos músicos de Atlanta possibilitou um arranjo ao mesmo tempo autêntico e fiel à versão original. O trabalho da bateria de Brann Dailor nos mostra mais uma vez porque o artista é um dos melhores bateristas da atualidade e evidencia a grande influência do Jazz e do Rock Progressivo no seu estilo de tocar. Brent Hinds tece solos feitos na medida durante a música, e seus improvisos no final são incrivelmente simples, mas arrepiantes, enquanto Bill Kelliher toca os riffs absurdamente pesados com a cara do Mastodon. O trabalho de voz de Troy Sanders passam a lunaticidade e o mistério necessário para preservar a atmosfera profunda da música, e seu talento no baixo é o necessário para tornar esse cover uma obra memorável para a carreira do grupo.

A faixa do lado B é “Black Tongue”, presente no disco The Hunter, lançado ano passado pelo Mastodon. Pandeiro, percussão crua, guitarras com a distorção bagunçada, um baixo que pouco aparece, um sintetizador lunático e a voz suave e ao mesmo tempo insana da cantora e os vocais de apoio tornam a música uma verdadeira expressão da loucura escondida na artista aparentemente mais graciosa. Não que a lunaticidade não seja graciosa de sua forma particular. Fiel aos elementos principais da música original, mas muito autêntica dentro da sua construção. A artista se mostrou versátil, fugindo (mesmo que pouco) de sua “zona de conforto” e fez um excelente trabalho.

Ouvir as originais e os covers em sequência é uma experiência incrível, altamente recomendada, seja a pessoa fã de Folk ou de Metal.

Mastodon (sem Bill Kelliher) e Feist

[UPDATE] Assista ao incrível clipe da faixa “A Commotion”, na versão tocada pelo Mastodon e estrelado pela Feist.

Review: Jane’s Addiction – The Great Escape Artist (2011)

5 fev

Posso não ser o cara mais familiarizado com o trabalho do Jane’s Addiction (mal ouvi os discos Ritual de Lo Habitual, de 1990, e  Strays, de 2003) mas considero-os uma banda de altíssima qualidade e uma referência grande para o rock alternativo (Tom Morello concorda comigo) e esse ponto de vista só se fortaleceu quando ouvi The Great Escape Artist. O primeiro single do disco, “End to the Lies”, ganhou um clipe muito bem produzido que unindo arte de rua e tatuagens com silhuetas de mulheres, combina com os versos densos e o refrão melódico, com linhas desfiguradamente incríveis da guitarra de Dave Navarro (destaque para este, que faz um trabalho excepcional neste disco). O segundo single e faixa de abertura é a pesada “Underground”, que ganhou um clipe burlesco com direito a um espalhafatoso Perry Farrell, como de costume, iniciando a música com seu vocal agudo e característico, para cair no peso do baixo de Chris Chaney e na percussão marcante de Stephen Perkins. O disco segue na mesma base de canções mescladas de seções melódicas, pesadas e um toque de insanidade que a guitarra mais do que bem tocada de Navarro cria em conjunto com a voz de Farrell. Músicas que ganham um bom destaque são “The Irresistible Force (Met the Immovable Object)” e “Splash a Little Water On It”, duas “semi-baladas” com belos arranjos, guitarras melódicas e a segunda, um violão de fundo que dá uma beleza única para a melodia. Também pode-se encontrar as agitadas “Ultimate Reason”, com tempos corridos e até um pouco quebrados na bateria e riffs pesados muito bem marcados no baixo e na guitarra, e “Words Right Out of My Mouth”, rápida e agressiva, lembrando um punk rock carregado de vocais insanos.

The Great Escape Artist pode ser apreciado por fãs de diversos estilos, e essa versatilidade, unida com a qualidade das composições, tanto das letras quanto das melodias, torna este um disco muito bom para os ouvidos. Fechou 2011 como o 2º melhor disco alternativo, o 3º melhor disco de Rock e em 12º entre os 200 da Billboard U.S.

Jane’s Addiction é:

Perry Farrell: Vocal;

Dave Navarro: Guitarra, violão e teclado;

Stephen Perkins: Bateria e percussão;

Chris Chaney: Baixo.

The Great Escape Artist:

1: Underground

2: End to the Lies

3: Curiosity Kills

4: The Irresistible Force (Met the Immovable Object)

5: I’ll Hit You Back

6: Twisted Tales

7: Ultimate Reason

8: Splash a Little Water On It

9: Broken People

10: Words Right Out of My Mouth

Resenha: Sum 41 – Screaming Bloody Murder

21 jan

Sum 41 – Screaming Bloody Murder

Release oficial: 29/03/2011

Faixas: 14

Duração: 48 min

Gênero: Alternativo/Pop Punk/Hardcore

Membros:

Deryck Whibley – Guitarra/vocal

Cone McCaslin – Baixo

Tom Thacker – Guitarra

Steve Jocz – Bateria

Faixa por faixa, brevemente

1 – REASON TO BELIEVE – ABERTURA ORA MISTERIOSA, ORA AGITADA

Começando o CD com classe.

2 – SCREAMING BLOODY MURDER – FAIXA TÍTULO COM TUDO QUE HÁ DIREITO

Rebusca a essência da banda e incorpora elementos interessantes, explorando novos campos musicais.

3 – SKUMFUK – “MUSICÃO”

Mudança de ritmo, composição muito boa, clima que prende a quem ouve a música. O clima “burlesco” de THE JESTER (do disco anterior da banda, UNDERCLASS HERO) aparece notavelmente pela primeira vez no disco.

4 – TIME FOR YOU TO GO – POP PUNK DE GENTE GRANDE

Poucos acordes, melodia fácil de acompanhar, porém com sonoridade mais madura que nos trabalhos anteriores. Destaque para o solo de guitarra cativante desta música.

5 – JESSICA KILL – SOMBRIA

Melodia pesada, penetrante, com uma ótima linha vocal de Deryck Whibley com suavidade e agressividade na medida certa. Lembra o disco CHUCK. Destaque para Steve Jocz, mostrando-se mais ainda um excelentíssimo baterista.

6 – WHAT AM I TO SAY – “RADIO-FRIENDLY”

A baladinha essencial. Faixa atraente, lembrando bem o caminho trilhado no disco UNDERCLASS HERO. Essa tem grandes chances de ser um single de sucesso.

7 – HOLY IMAGE OF LIES – A PURA ESSÊNCIA DO DISCO

A melhor e mais completa faixa do disco. Exprime exatamente a essência “punk-burlesque-hardcore-opera” do SCREAMING BLOODY MURDER todo.

8 – SICK OF EVERYONE – MAIS CHUCK FOR MY BUNGHOLE

Faixa versátil, com um riff de entrada extremamente agressivo, passando para um verso mais “tranquilo”, com o clima burlesco e teatral marcando presença novamente. Um híbrido de CHUCK e UNDERCLASS HERO.

9 – HAPPINESS MACHINE – EXCÊNTRICA E SÓLIDA

Guitarra muito pesada, vocal com melodias variando entre a insanidade e a extrema suavidade, e mais pianos.

10 – CRASH – SEGUNDO CLÍMAX (SE É QUE ISSO EXISTE)

Depois de muita porrada, essa belíssima composição sustentada apenas pelo piano, guitarra, violão e voz prepara para o desfecho do disco, compondo todo um clima musico-teatral na cabeça de quem ouve o disco.

11 – BLOOD IN MY EYES – “BURLESQUE METAL”

Muito pesada, muito melódica, com o piano de ritmo marcante e um refrão forte, fácil de lembrar e muito suscetível a headbang. Destaque para o excelentíssimo trabalho das guitarras e da bateria no riff principal da música.

12 – BABY YOU DON’T WANNA KNOW – ROCK N’ ROLL (!)

Tudo na música ruma pra o mesmo rumo: puro ritmo de Rock n’ Roll pra agitar!

13 – BACK WHERE I BELONG – WE’RE STILL SUM 41!

Essa música é um soco na cara de todo ouvinte! Pancada com a pura essência da banda, mostrando todo o amadurecimento e evolução de todos os membros. Próximo single confirmado do disco.

14 – EXIT SONG – “APROVEITEM, E ATÉ A PRÓXIMA!”

Uma faixa curta e bela, para fechar com chave de ouro este lançamento, que, de longe, é o disco mais maduro do quarteto canadense. Não é o melhor, mas é o que tem uma evolução mais notável. Potencial como disco bom para o próprio SUM 41 se orgulhar, e podendo conter alguns hits memoráveis, que se tornem hinos para os fãs como FATLIP, THE HELL SONG, STILL WAITING e PIECES.


A música pop nos dias de hoje, por @bocasucks

21 jan

Bom, esses dias, tinha algum tempo pra jogar fora e me lembrei de uma coisa que existia antes da internet. Chama-se MTV, Music Television. Esse canal de TV costumava ser minha única ligação visual com as bandas que gostava. Após algumas horas vendo reality shows de gosto extremamente duvidoso, vi uns vídeo clips. Meu, os vídeos de Pop atuais são muito mais brutais que os de Metal! É só mulher “ralando o carpete“, doideiras e comportamento indecente. Adorei! Não sou nenhum pouco puritano, mas saber que as 11 da manhã, milhões de crianças no mundo inteiro são “bombardeadas” com a putanhice da Lady Gaga é uma realidade estrondosa. Por exemplo, um vídeo do Slayer com insinuação (anti) religiosa ou uma dose de violência moderada não é aceitável nesse horário. Tá. Concordo. Afinal não é todo tipo de Metal que é acessível aos mais pequenos. Agora, ver a Sra. Gaga ralar de calcinha e sutiã com um monte de machos (?) malhados é adequado. Se o Nergal (Behemoth) rasga uma bíblia diante de algumas centenas de pessoas (que estavam lá para ver isso), é um ato criminoso. Já, quando a “Madonna 2.0” engole um terço todo dia na cara de milhões de telespectadores, é ousado, inovador, controverso. Se no próximo vídeo ela cagar o menino Jesus, automaticamente ganha um prêmio da MTV. Outro vídeo que curti foi da Ke$ha. É a mulher dos meus sonhos, quando tinha 17 anos: Bêbada e vagaba! Combo perfeito. Só pegava ela com 3 camisinhas! E o Lil’ Wayne? Detento style. Visual medonho. Resumindo, acho que o mundo da música Pop tem uma atitude tão subversiva quando do Metal atualmente. A diferença é que no Metal, as pessoas procuram por isso, sabem no que estão se metendo, já o Pop entra na vida das pessoas “à força” e muito cedo, embutindo certo valores que não agregam nada.

(Postado originalmente no site hornsup.net, site que hoje em dia está fora do ar e a única coluna remanescente é o tumblr do Boca Dura)